Em resumo
- Numa loja, uma resposta inventada não é um erro simpático: é um prazo de entrega errado, uma promessa de compatibilidade falsa, uma devolução.
- Um assistente útil responde a partir de fontes da própria loja, e não da memória do modelo.
- Quando não há fonte, a resposta certa é dizê-lo e encaminhar para quem sabe. Essa é a funcionalidade, não a falha.
- O que separa um assistente de um chat genérico não é o modelo: são as fontes, os limites e o que acontece quando ele não sabe.
Há uma pergunta que quase nunca aparece nas demonstrações de assistentes de compra: o que é que ele faz quando não sabe? É pena, porque essa é a pergunta que decide se um assistente pode ficar numa loja a sério.
Num chat de uso geral, uma resposta errada custa um sorriso e uma correção. Numa loja, custa outra coisa. Se o assistente disser que aquele carregador é compatível com aquele portátil e não for, alguém paga portes de devolução, escreve um email irritado e não volta. A conversa terminou bem, a venda terminou mal.
O que delimita as respostas
A diferença entre um assistente que serve uma loja e um que a envergonha está quase toda nas fontes. No nosso caso, são três, por esta ordem:
- A base de conhecimento da loja. As respostas escritas pela equipa: horários, prazos, política de trocas, particularidades de entrega. Quando existe uma resposta escrita, é essa que vale, mesmo que contradiga o resto. A razão é prática: as condições de venda foram escritas uma vez, para um advogado; a nota da equipa foi escrita esta semana.
- As páginas e artigos indexados da loja. Termos e condições, páginas institucionais, artigos do blog, fichas de produto. É o que a loja já publicou e assumiu.
- O catálogo, através da pesquisa. Produtos recomendados são sempre produtos que a pesquisa devolveu, com o preço e o stock que estão no catálogo naquele momento.
O que fica de fora é tão importante como o que fica dentro: o assistente não responde de memória sobre o funcionamento da loja. Se a pergunta é «entregam à ilha da Madeira em 24 horas?» e não há nada escrito sobre isso, a resposta não é uma estimativa plausível. É dizer que não tem essa informação e oferecer o contacto de quem tem.
Assistente genérico e assistente da loja
| Chat genérico | Assistente da loja | |
|---|---|---|
| Fonte das respostas | O que o modelo aprendeu | Catálogo, páginas e base de conhecimento da loja |
| Produtos que recomenda | Os que soam bem | Os que a pesquisa devolveu, com stock |
| Preços que cita | Nenhum, ou desatualizados | Os que estão no catálogo neste momento |
| Quando não sabe | Arrisca uma resposta plausível | Diz que não sabe e encaminha |
| Quando o catálogo muda | Continua a dizer o mesmo | Muda na pesquisa seguinte |
| Auditoria | Não há | Cada conversa fica registada, com o que foi mostrado |
A quarta linha é a que costuma decidir a compra da ferramenta, e é a mais fácil de testar numa demonstração: pergunte qualquer coisa que a loja não tenha escrito em lado nenhum e veja o que acontece.
Dizer «não sei» sem perder a venda
Há uma objeção legítima a tudo isto: um assistente que responde «não sei» com frequência é inútil e irritante. A objeção é justa, e a resposta não é responder na mesma. É fazer três coisas antes de desistir da conversa.
- Perguntar de volta. Muitas perguntas sem resposta são perguntas mal delimitadas. «Serve para mim?» não tem resposta; «para que altura e que peso?» tem. É o princípio da compra assistida, em que cada resposta estreita o catálogo em vez de adivinhar.
- Oferecer o mais próximo. Se não há resposta sobre compatibilidade, há a lista dos produtos que a loja tem para aquele modelo, com o aviso de que a compatibilidade não está confirmada.
- Encaminhar com contexto. Passar para uma pessoa é a saída certa, e é muito melhor quando a pessoa recebe a conversa inteira em vez de um «um cliente quer falar consigo». Vale a pena decidir antes para onde: canal, horário e tempo de resposta habitual dito em voz alta valem mais do que um «contacte-nos», e é o que o Buskara pede na configuração do apoio ao cliente.
O que nunca fazemos é a quarta hipótese, que é a mais tentadora: dar a resposta provável e deixar o cliente confirmar sozinho.
Prós e contras de pôr um assistente na loja
| A favor | Contra |
|---|---|
| Responde às perguntas que hoje chegam por email fora de horas | Exige que a loja escreva o que hoje só existe na cabeça da equipa |
| Salva a pesquisa nos casos em que o cliente descreve em vez de nomear | Custa por conversa, ao contrário de uma pesquisa normal |
| Cada conversa fica registada e mostra o que falta no catálogo e nas páginas | Uma base de conhecimento desatualizada mente com muita confiança |
| Encurta o caminho até ao checkout para quem não sabe o que quer | Não substitui apoio humano nos casos difíceis, e não deve tentar |
| Trabalha em várias línguas sem equipa em cada uma | Precisa de limites escritos, senão promete o que a loja não cumpre |
A linha do custo merece uma nota, e é uma diferença de natureza e não de grau: uma conversa custa mais do que uma pesquisa, sempre, e é por isso que os planos do Buskara contam as duas coisas em separado. Daí que o assistente não deva ser a porta de entrada de tudo. A porta de entrada é a pesquisa, que é barata e resolve a maioria; o assistente entra onde ela não chega.
Onde ela não chega é mensurável, e não é preciso adivinhar: são as pesquisas que acabam sem resultados escritas em forma de frase, e as perguntas de serviço que aparecem na caixa de pesquisa. Nos testes de self-service do Baymard, 34% dos participantes tentaram procurar conteúdo que não era produto, e essa é a categoria de pesquisa que os sites servem pior de todas.
O que a loja tem de escrever
A parte que ninguém gosta de ouvir: a qualidade das respostas depende mais do que a loja escreveu do que do modelo escolhido. Um assistente ligado a uma loja sem página de trocas responderá mal sobre trocas, com qualquer modelo.
O mínimo que compensa escrever, por ordem de retorno:
- Prazos e custos de entrega, incluindo as exceções que a equipa repete todos os dias.
- Política de trocas e devoluções, com o que acontece a quem comprou em promoção.
- Tabelas de tamanhos ou de compatibilidade, se o catálogo tiver.
- As cinco perguntas que o apoio ao cliente responde mais vezes por email.
São umas horas de trabalho, feitas uma vez, e é o que separa um assistente que fecha vendas de um que produz conversas simpáticas sem consequência.
Há um atalho para saber o que escrever, e é ler o que já foi perguntado. Meia hora nos registos das conversas rende mais entradas boas do que uma tarde a imaginá-las à secretária, porque as perguntas estão escritas pelas palavras de quem as fez.
Perguntas frequentes
Um assistente de IA pode inventar respostas sobre a minha loja?
Pode, se responder de memória. Um assistente delimitado às fontes da loja (catálogo, páginas publicadas e base de conhecimento) só responde a partir do que encontra, e quando não encontra deve dizê-lo em vez de estimar.
O assistente recomenda produtos que estão esgotados?
Não deve. As recomendações têm de vir da pesquisa ao catálogo no momento da conversa, com o stock e o preço desse momento. Uma lista de produtos preparada antes envelhece e passa a recomendar o que já não existe.
Qual é a diferença entre o assistente e a caixa de pesquisa?
A pesquisa responde a quem sabe nomear o que quer, e é barata e instantânea. O assistente responde a quem descreve uma situação ou faz uma pergunta, custa mais por utilização e deve entrar onde a pesquisa não chega, não antes dela.
O que acontece quando o assistente não sabe responder?
Deve perguntar de volta para delimitar melhor, oferecer o que há de mais próximo com o devido aviso, e encaminhar para uma pessoa com a conversa toda em anexo. O que não deve fazer é responder o que é provável.
O que preciso de escrever para o assistente funcionar bem?
Prazos e custos de entrega com as exceções, política de trocas e devoluções, tabelas de tamanhos ou compatibilidade, e as perguntas que o apoio ao cliente responde mais vezes. É trabalho de umas horas e é o que mais muda a qualidade das respostas.
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Obrigado pela resposta.
Buskara
Escreve sobre pesquisa e descoberta de produto no blog do Buskara.
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