Em resumo
- O painel da pesquisa responde a «como está a pesquisa». O Google Analytics responde a «quanto vale», porque é lá que estão as campanhas, as audiências e as conversões.
- Ligado o interruptor, cada acontecimento da pesquisa é entregue à própria página duas vezes: como evento do browser e como
pushpara odataLayer.- Nada sai da página por esse caminho. Não se escrevem cookies nem se carregam scripts, e quem decide o que segue para o GA4 é o Tag Manager da loja.
- O evento mais útil é o menos glamoroso: uma pesquisa com zero resultados, registada com o termo que a pessoa escreveu.
O painel da pesquisa mostra os termos, os cliques e as pesquisas que acabam em nada. É a imagem certa para afinar a pesquisa, e é a imagem errada para responder a uma pergunta que aparece sempre: e no Google Analytics?
A pergunta é legítima e não é sobre teimosia. Uma ferramenta de pesquisa com relatório próprio é uma ferramenta que ninguém compara com nada, e as campanhas, as audiências, os funis e as conversões da loja vivem no GA4. O que não entra lá fica fora das contas que se fazem ao negócio, e uma ferramenta com relatório próprio é uma ferramenta que ninguém compara com nada.
O que muda quando se liga
Com o interruptor Enviar eventos para o analytics da loja ligado na ficha da loja, cada acontecimento da pesquisa passa a ser entregue à própria página, duas vezes e de duas formas. Vale para qualquer plataforma suportada, incluindo o módulo de pesquisa para PrestaShop:
- como evento do browser, com nomes do género
buskara:search, para quem quiser ouvi-los com três linhas de JavaScript; - como
pushpara odataLayer, com nomes do génerobuskara_search, que é o formato que o Google Tag Manager espera.
Vale a pena sublinhar o que não acontece. Este caminho não escreve cookies, não carrega scripts e não envia nada para fora da página. Põe a informação em cima da mesa da loja e sai da frente. Desligado o interruptor, o dataLayer fica exatamente como estava.
Os eventos
| Evento | Quando dispara | Parâmetros |
|---|---|---|
buskara_open |
A pesquisa abre | nenhum |
buskara_search |
Uma pesquisa assenta, e não a cada tecla | search_term, results, search_id |
buskara_result_click |
Clique num resultado | item_id, item_name, price, brand, index, search_term, search_id |
buskara_add_to_cart |
Adição ao carrinho numa sessão que pesquisou | item_id, item_name, price, brand, quantity, search_term, search_id |
buskara_similar_open |
O painel de produtos semelhantes abre | item_id, item_name, search_term, search_id |
buskara_quiz_* |
Cada passo do assistente: início, resposta, recuo, clique em produto, passagem a uma pessoa, mensagem, checkout | type, slug, step, mais os extras do passo |
Duas notas sobre a tabela.
O search_id é o mesmo identificador que o painel usa. É o que permite pegar num número do GA4 e ir confrontá-lo com o mesmo número do outro lado, em vez de discutir qual das duas ferramentas está errada.
O buskara_add_to_cart conta a adição ao carrinho de uma sessão que pesquisou, venha ela do botão da pesquisa, do assistente ou do botão da própria loja depois de uma pesquisa. É deliberadamente generoso, e é preciso lê-lo assim: é influência da pesquisa, não atribuição apertada. A atribuição apertada faz-se do outro lado, como se explica em quem pesquisa compra mais.
Porque é que o buskara_search não dispara a cada tecla
Porque uma pesquisa escrita não é uma pesquisa por letra, e um relatório que confunda as duas coisas é pior do que não ter relatório.
Escrever «auscultadores» produz uma dúzia de estados intermédios, e só o último é o que a pessoa quis pesquisar. Se todos contassem, os «mais procurados» da loja seriam meias-palavras que ninguém escreveu de propósito, e a taxa de pesquisas sem resultados seria um número inventado pela velocidade a que cada visitante escreve.
Por isso o evento espera que a escrita assente. É uma decisão com consequência: o GA não tem forma de retratar um evento já enviado, e um número que se enche sozinho não se limpa depois.
Ligar, em três passos
- Descarregar o container pronto no painel e importá-lo no Tag Manager. Traz as variáveis, os acionadores e as tags do GA4 já montados. A tabela completa dos eventos e dos parâmetros vive no guia dos eventos no GTM e GA4.
- Abrir a variável do Measurement ID e substituir o valor de exemplo pelo da loja, que se encontra no GA4 em Administrador → Fluxos de dados.
- Em Preview, fazer uma pesquisa na loja e confirmar que os eventos chegam. Depois, Submit.
Sem Tag Manager, os eventos do browser servem o mesmo propósito com muito pouco código:
document.addEventListener('buskara:search', function (e) {
gtag('event', 'buskara_search', e.detail);
});
O consentimento é decisão da loja
As tags importadas vêm sem estado de consentimento definido, de propósito.
Não é uma omissão a corrigir: é o reconhecimento de que a política de consentimento é da loja e não de um fornecedor de pesquisa. O gating faz-se nas regras do próprio container, com o mesmo mecanismo de qualquer outra tag. Um fornecedor que decidisse isso por si estaria a assumir uma responsabilidade que continua, legalmente, do lado de quem tem a loja.
O caminho do dataLayer em si não escreve cookies nem identifica ninguém. O que precisa de consentimento é o que a loja decidir fazer com ele a seguir.
E o Microsoft Clarity
Há um segundo interruptor, independente do primeiro, para lojas que já usam o Microsoft Clarity. Com ele ligado, os mesmos eventos são entregues ao Clarity que estiver na página, e cada sessão fica marcada com duas etiquetas: o termo pesquisado e o nome do produto.
São as etiquetas que interessam, mais do que os eventos, porque é por elas que se filtram gravações de sessão e mapas de calor por aquilo que as pessoas pesquisaram. Ver meia dúzia de gravações de quem procurou um termo e saiu sem clicar em nada explica mais do que a coluna desse termo num relatório.
Duas limitações honestas: o Clarity não recebe parâmetros nos eventos, o que é da ferramenta e não desta integração, e daí as etiquetas; e a pesquisa nunca carrega o script do Clarity, portanto sem ele já na página o interruptor não faz nada.
Prós e contras de espelhar para o analytics da loja
| A favor | Contra |
|---|---|
| A pesquisa passa a aparecer ao lado das campanhas e das conversões, no sítio onde se decide o orçamento | Mais eventos no GA4, e um container mal arrumado fica pior |
O search_id permite confrontar os dois relatórios em vez de escolher um |
Duas fontes de números convidam a discussões sobre qual está certa |
| Audiências e remarketing passam a poder usar comportamento de pesquisa | Comportamento de pesquisa é dado sensível em certos catálogos, e obriga a pensar no consentimento |
| Funciona sem cookies novos e sem scripts adicionais da nossa parte | Exige alguém que saiba mexer no Tag Manager, ainda que o container venha pronto |
| As pesquisas sem resultados entram nos relatórios de quem decide compras | Um evento que dispare de mais estraga os históricos e não se apaga |
O relatório que vale a pena montar primeiro
Se só houver tempo para um, é este: buskara_search filtrado por results = 0, com o search_term como dimensão.
É a lista do que os visitantes procuraram e a loja não serviu, escrita pelas palavras deles. No painel da pesquisa ela já existe, com classificação por tipo de problema e estimativa do que se recupera. O que muda ao tê-la também no GA4 é a companhia: passa a poder cruzar-se com a origem do tráfego, e a pergunta «que campanha está a trazer gente que procura o que não temos» deixa de ser retórica.
O tema tem artigo próprio, com as quatro causas e o que fazer a cada uma, em as pesquisas sem resultado são a lista de compras que ninguém lê.
Perguntas frequentes
Como levo a pesquisa interna para o Google Analytics 4?
Ligando o envio de eventos na ficha da loja e importando o container do Tag Manager que o painel disponibiliza. Os eventos chegam ao dataLayer da loja e é o Tag Manager que os encaminha para o GA4, com as regras de consentimento que a loja já tiver.
Estes eventos escrevem cookies ou seguem visitantes?
Este caminho não. Os eventos são entregues à própria página e mais nada sai dela. Cookies e identificação são o que as tags do GA4 fazem depois, sob as regras do container da loja, como com qualquer outra tag.
Porque é que o número de pesquisas do GA4 não bate certo com o do painel?
Quase sempre por causa do consentimento e dos bloqueadores. O painel conta as pesquisas que chegaram ao serviço; o GA4 conta as que as tags conseguiram enviar. O search_id está nos dois lados, e é por ele que se investiga uma diferença em vez de se adivinhar.
Vale a pena isto se a loja já tem o painel da pesquisa?
Vale se as decisões de marketing forem tomadas no GA4, o que é o caso da maioria. O painel é melhor para afinar a pesquisa; o GA4 é melhor para a comparar com tudo o resto que a loja faz. Não competem.
O que é o search_id?
Um identificador atribuído a cada pesquisa, presente nos eventos e nos relatórios do painel. Serve para ligar um clique, uma adição ao carrinho ou uma conversa à pesquisa concreta que os originou, em vez de os agrupar só pelo termo escrito.
Posso usar isto com o Microsoft Clarity em vez do Google Analytics?
Pode, e são interruptores independentes: um, o outro, ou os dois. O Clarity dá uma coisa que o GA4 não dá, que é ver a gravação da sessão de quem pesquisou um termo, e não dá parâmetros nos eventos, que é o que o GA4 faz melhor.
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Obrigado pela resposta.
Daniel Silva
Escreve sobre pesquisa e descoberta de produto no blog do Buskara.
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