Em resumo
- A maioria dos catálogos herda o vocabulário do ficheiro do fornecedor, que foi escrito para logística e não para venda.
- O vocabulário do cliente já existe dentro de casa: nas pesquisas do site, nos emails do apoio e nas avaliações.
- Há três formas de aproximar os dois, com custos muito diferentes: sinónimos, campos próprios e reescrita das fichas.
- Reescrever tudo é quase sempre a decisão errada. Reescrever os cem produtos que sustentam a loja é quase sempre a certa.
Abra a ficha de um produto qualquer da sua loja e leia o título em voz alta. Se soar a etiqueta de armazém, não é culpa de ninguém: é o percurso normal de um catálogo. O ficheiro chega do fornecedor com nome, referência e atributos, importa-se para não escrever três mil fichas à mão, e o que lá está passa a ser o que a loja diz.
O problema é que esse ficheiro foi escrito para outro fim. «Corta-vento Vela 2.5L» identifica um artigo num inventário sem ambiguidade nenhuma. Não é uma frase que alguém escreva numa caixa de pesquisa. Em lojas PrestaShop este percurso é quase universal, e é uma das razões por que a pesquisa nativa desilude: ela procura as palavras que lá estão, e as que lá estão são as do armazém. Ver módulo de pesquisa para PrestaShop.
Duas línguas para o mesmo produto
O desencontro tem sempre a mesma forma. De um lado, o catálogo nomeia; do outro, o cliente descreve.
| O catálogo diz | O cliente escreve |
|---|---|
| Corta-vento Vela 2.5L | casaco leve para a chuva |
| Nimbus Road 14 | ténis de corrida para asfalto |
| Sneaker Court Leather White | sapatilhas brancas de pele |
| Cadeira operativa MX-3 com apoio lombar | cadeira de escritório para costas |
| Luminária suspensa E27 opalina | candeeiro de teto para a sala de jantar |
Nenhuma destas pesquisas encontra alguma coisa por comparação de palavras, e todas elas têm resposta óbvia no catálogo. Repare no padrão: o cliente escreve categoria, uso e uma característica visível. O catálogo escreve marca, modelo e uma especificação técnica.
Não é um problema de lojas pequenas. Na revisão de 2026 do benchmark de pesquisa do Baymard Institute, que avalia mais de 170 sites e aplicações, 43% têm problemas com pesquisas por caso de uso («para correr à chuva»), 39% com pesquisas por característica e 20% até com pesquisas por tipo de produto. São exatamente as três colunas da direita da tabela acima.
Onde está o vocabulário do cliente
A parte boa é que não é preciso adivinhar nem contratar um estudo. As palavras dos clientes já estão dentro de casa, em quatro sítios:
- As pesquisas do próprio site, sobretudo as que não devolveram nada. É a fonte mais direta que existe: o pedido está escrito, e falhou.
- Os emails e conversas do apoio ao cliente. «Aquele candeeiro que tem na montra» é o vocabulário verdadeiro.
- As avaliações dos produtos. Quem escreve uma avaliação descreve o produto pela utilidade, não pela ficha técnica.
- Os termos de pesquisa externos que já trazem tráfego. Dizem como as pessoas chegaram, o que é uma versão mais fria da mesma informação.
Uma tarde a ler estas quatro fontes com uma folha ao lado costuma dar cinquenta pares de palavras, e esses cinquenta pares cobrem a maior parte do que falta.
Três formas de aproximar as duas línguas
| Abordagem | Esforço | Efeito na pesquisa interna | Efeito no Google | Quando envelhece |
|---|---|---|---|---|
| Sinónimos no motor de pesquisa | Minutos por termo | Imediato e total | Nenhum | Quando o vocabulário muda |
| Campos próprios (uso, ocasião, público) | Horas por categoria | Alto, e passa a dar filtros | Indireto, via páginas de filtro | Quando se acrescentam categorias |
| Reescrever títulos e descrições | Dias por centena de fichas | Alto | Direto e duradouro | Quando o fornecedor muda a gama |
As três são compatíveis e resolvem coisas diferentes. Os sinónimos resolvem hoje, entram em vigor sem reindexação, e não deixam rasto para fora da loja. Numa pesquisa que percebe o pedido, boa parte deles deixa de ser precisa, mas nenhum motor adivinha uma palavra que não existe em sítio nenhum do catálogo. Os campos próprios resolvem a navegação, porque «para exterior» deixa de ser uma palavra escondida na descrição e passa a ser um filtro na coluna. A reescrita é a única que trabalha também fora da loja, e é a única que custa dinheiro a sério.
Há um quarto caso que não é nenhum destes e convém despistar primeiro: a palavra até existe na ficha, mas num campo que a pesquisa não lê ou que pesa zero. Aí não falta vocabulário nenhum, falta configuração, e o sítio para confirmar é produtos que não aparecem.
Prós e contras de reescrever o catálogo
| A favor | Contra |
|---|---|
| Melhora a pesquisa interna, o Google e a leitura da ficha de uma só vez | É o trabalho mais caro dos três, e é manual |
| Fica na loja: não depende de configuração de nenhuma ferramenta | Uma importação mal configurada apaga tudo na sincronização seguinte |
| Textos próprios distinguem a loja de dezenas de concorrentes com o mesmo ficheiro | Exige um responsável, senão a qualidade oscila de ficha para ficha |
| Reduz devoluções, porque a expectativa fica mais próxima do produto | O retorno demora semanas a aparecer, ao contrário dos sinónimos |
A linha sobre a importação é a que costuma doer. Antes de reescrever seja o que for, confirme se a sincronização com o fornecedor está configurada para não sobrepor os campos escritos à mão. Já vimos duas semanas de trabalho desaparecerem num domingo à noite.
O que fazer esta semana
Não recomendamos começar pelo catálogo todo. Recomendamos começar pela parte dele que sustenta a loja:
- Tire a lista dos produtos que fazem 80% das vendas. Costumam ser menos de duzentos.
- Cruze com a lista dos termos pesquisados sem resultado. A interseção é a lista de trabalho.
- Para esses, escreva um título que diga categoria, uso e a característica que distingue, por esta ordem. A marca e o modelo continuam lá, no fim.
- Nos restantes, resolva com sinónimos e siga em frente.
- Marque uma revisão a três meses, com os mesmos dois relatórios.
A diferença entre isto e um projeto de reescrita é que este começa segunda-feira e mostra resultados na semana seguinte.
Perguntas frequentes
Porque é que o meu catálogo não encontra produtos que existem?
Quase sempre porque o texto da ficha foi importado do fornecedor e usa vocabulário de inventário, enquanto o cliente escreve vocabulário de uso. O produto existe, com stock, mas nenhuma das palavras escritas na pesquisa aparece no texto indexado.
Sinónimos ou reescrever as fichas: o que faço primeiro?
Sinónimos, porque resolvem no próprio dia e não têm risco. A reescrita entra a seguir e só para os produtos que justificam o trabalho, tipicamente os que fazem a maior parte das vendas e aparecem nas pesquisas falhadas. Um cuidado: sinónimos não são para gralhas, que já são tratadas noutro sítio e por outro mecanismo, como se explica em porque é que a correção de erros não pode ser silenciosa.
Como encontro as palavras que os meus clientes usam?
Nas pesquisas sem resultado do site, nos emails do apoio ao cliente, nas avaliações de produtos e nos termos que já trazem tráfego de motores de busca. As quatro fontes são gratuitas e estão dentro de casa.
Reescrever títulos de produtos prejudica o posicionamento no Google?
Não, desde que o endereço da página não mude e o título continue a conter o nome pelo qual o produto é procurado. Títulos que descrevem categoria e uso costumam melhorar o posicionamento, porque se aproximam do que as pessoas escrevem no motor de busca.
O que impede o fornecedor de apagar os textos que escrevi?
A configuração da importação. Antes de reescrever fichas, confirme que a sincronização de catálogo está a ignorar os campos de título e descrição, ou que os mantém quando foram editados manualmente.
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Obrigado pela resposta.
Daniel Silva
Escreve sobre pesquisa e descoberta de produto no blog do Buskara.
A seguir
A pesquisa passa a ser servida por fora, sem tocar no tema nem na estrutura do catálogo. O que muda para quem compra, o...
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